
“Trancafiado em meu peito, deixei-o aprisionado em um canto qualquer. Já não via mais motivos para deixá-lo livre, ainda mais se ele fosse me trazer mais dores. Implorei para que o destino a trouxesse de volta para mim, pois sem ela eu não era nada. Como poderia eu, seguir em frente com minha vida sem a presença dela? Isso seria o mesmo que tentar sobreviver sem oxigênio. Posso parecer apenas um menino, mas tenho tido marcas e lembranças em mim, essas mesmas tão profundas, que o homem mais experiente e vívido talvez não tenha. Carrego em mim a dor de um amor que aos poucos dilacerou meu coração, então deixo-o aqui dentro, morto e distante de tudo que possa voltar a cativá-lo novamente. Tudo o que eu tinha em mim era o amor dela, e hoje não me restaram nada além de lembranças e esperanças de que o vento me traga de volta o amor dela. Minha pequena, o motivo de minha existência. Oh meu Deus, me traz de volta minha menina, me trazer de volta o aconchego de seus abraços e o calor de seu olhar. Mas me martirizar por uma perda não me deixará melhor, pelo contrário. Preciso aprender a andar com minhas próprias pernas, a abrir minhas asas e voar sozinho. Já não posso mais esperar que o destino a traga para mim, não devo olhar para trás e crer que ainda haja algo de bom me esperando. Ele guarda tudo em um pequeno alojamento, distante dos olhos de tudo e de todos, e apenas ele sabe que tudo permanece lá dentro. João de barro, me ensine como guardar meu amor.” (Eduardo Pellucci - unbroke-n)